Tratamentos de Suporte

O paciente internado na UTI, além de receber tratamento direcionado para a situação que ocasionou a deterioração de seu estado de saúde, recebe tratamento de suporte de vida. A terapia intensiva tem por meta principal a manutenção de funções vitais enquanto a doença que ocasionou o estado crítico é combatida.

Abaixo, são listados alguns exemplos de tratamento de suporte de vida comumente empregados em UTIs:

 

Suporte ventilatório

O suporte ventilatório visa auxiliar na manutenção da adequada função respiratória do paciente gravemente enfermo. A causa mais frequente da necessidade deste tipo de suporte de vida é a insuficiência respiratória que pode ser causada por diversas doenças. Entre as modalidades de tratamento mais utilizadas para tratamento da insuficiência respiratória, estão a administração de oxigênio (por máscara ou óculos nasal, por exemplo) e a ventilação mecânica. No caso da ventilação mecânica, a oxigenação do paciente é realizada por um aparelho (respirador) através de uma prótese respiratória (tubo ou traqueostomia). Existe ainda um tipo específico de ventilação mecânica denominada não invasiva, que utiliza uma máscara como prótese respiratória.

Suporte ventilatório: administração de oxigênio por máscara
Suporte ventilatório: Ventilação Mecânica

Suporte circulatório

O suporte circulatório tem por objetivo adequar a função cardiovascular do paciente para as suas condições clínicas. Entre os tratamentos comumente utilizados para suporte circulatório, encontram-se:

  • Administração de fluidos pela veia (soro, por exemplo);
  • Administração de medicamentos para controle da pressão arterial;
  • Administração de medicamentos para controle da frequência cardíaca;
  • Administração de medicamentos para melhorar a performance do coração;
  • Uso de aparelhos de assistência mecânica para auxílio da função cardíaca.
Suporte circulatório: muitos dos tratamentos de suporte circulatório são administrados aos pacientes na forma de solução endovenosa

Suporte renal

Através do suporte renal, a função do sistema urinário pode ser adequadamente mantida. Formas de suporte renal comumente utilizadas na UTI abrangem a hemodiálise e a diálise peritonial. Na hemodiálise, o sangue do paciente passa por um dispositivo que filtra as toxinas que normalmente são excretadas pelos rins. 

Suporte renal: maquinário de Hemodiálise substitui a função renal

Suporte hematológico

O suporte hematológico inclui a administração de medicamentos e a transfusão de hemoderivados (concentrado de hemácias ou plaquetas, por exemplo) para manutenção do funcionamento do sistema hematológico (sangue). Indicações comuns para o suporte hematológico são: anemia severa e distúrbios da coagulação.

Suporte hematológico: o concentrado de hemácias costuma ser utilizado em casos de anemia severa

Suporte endócrino

O suporte endócrino visa ajustar a função de diversos sistemas hormonais para a situação clínica do paciente. Exemplos de tratamento de suporte endócrino englobam o controle da glicemia (taxa de glicose no sangue) e administração de hormônios em situações especiais. Curiosamente, pacientes graves podem apresentar glicemia alterada, mesmo sem ter Diabetes.

Suporte endócrino: o controle da glicemia capilar e a administração de insulina quando necessário fazem parte do suporte endócrino

Suporte neurológico

O tratamento de suporte neurológico tem por objetivo prevenir e otimizar a função neurológica de pacientes graves. Esta forma de suporte pode demandar o controle da pressão intracraniana e o uso de medicamentos para prevenir lesão neuronal. Exames de imagem do sistema nervoso central (tomografia ou ressonância magnética, por exemplo) também podem ser utilizados como ferramenta de monitorização neurológica.

Suporte neurológico: exames de imagem são frequentemente utilizados como guia para tratamentos de suporte neurológico

Analgesia e sedação

O controle da dor é uma das prioridades do tratamento intensivo. Na UTI, a dor é rotineiramente rastreada e quantificada de modo a permitir tratamento adequado e rápido. Eventualmente, os pacientes criticamente enfermos também necessitam de sedação (medicamentos que induzem um estado de sonolência ou coma) para realização de procedimentos ou para tratamento de sua condição clínica. Nesses casos, a sedação é, em geral temporária e costuma ser suspensa tão logo as condições clínicas do paciente permitam.

Eventualmente, as condições clínicas ou a necessidade de determinados procedimentos exigem que o paciente seja sedado

Procedimentos na UTI

O paciente criticamente enfermo necessita de procedimentos para a adequada monitorização e tratamento de seu estado de saúde. A maioria destes procedimentos são realizados em ambiente estéril (livre de contaminação). Por isso, os familiares, em geral, não podem permanecer junto ao paciente durante a sua realização. Abaixo, estão listados alguns exemplos de procedimentos comuns na UTI 

  • Implante de cateter venoso central (para administração de medicamentos);
  • Intubação (para colocar o paciente em ventilação mecânica);
  • Passagem de sonda vesical (para controle de diurese ou para tratamento de obstrução de via urinária);
  • Realização de curativos.
Implante de cateter venoso central na UTI sob técnica asséptica para evitar infecção