Complicações

A fragilidade do paciente grave deixa-o susceptível a complicações durante sua hospitalização. Estas complicações podem ser ocasionadas pela própria doença crítica ou por intolerância aos tratamentos necessários para manter o suporte de vida. Abaixo estão listadas algumas das principais complicações as quais os pacientes críticos estão expostos:

 

Infecções Hospitalares

Devido à disfunção da resposta imune e à frequente necessidade de dispositivos invasivos para suporte de vida, o paciente crítico possui risco aumentado de infecção hospitalar. As infecções mais comuns neste contexto são: pneumonia, infecção de corrente sanguínea e infecção urinária. O tratamento destas complicações geralmente é realizado através da administração de antibióticos. Vale lembrar que a adequada lavagem das mãos constitui uma das principais medidas para evitar a ocorrência de infecções hospitalares.

 

Delirium

Delirium é uma forma de disfunção cerebral aguda na qual o paciente pode apresentar desatenção, confusão mental e desorientação. Muitas vezes, o paciente apresenta-se agitado e com delírios de perseguição. Eventualmente, o delirium pode ser grave o suficiente a ponto de o paciente não reconhecer os próprios familiares. Os sintomas de delirium costumam desaparecer com o tratamento da doença que ocasionou o estado crítico do paciente. A presença do familiar junto ao paciente na UTI pode contribuir para prevenção e tratamento do delirium através de medidas de reorientação e tranquilização do doente.

 

Insuficiência Respiratória

A insuficiência respiratória é uma complicação possível de diversas doenças que levam o paciente ao estado crítico, causados, por exemplo, por infecções respiratórias, insuficiência cardíaca (coração fraco) e exacerbações de doenças pulmonares crônicas (asma e enfisema pulmonar, por exemplo). Eventualmente, a insuficiência respiratória pode ser grave o suficiente para exigir tratamento de suporte respiratório (máscara de oxigênio, nebulização ou ventilação mecânica, por exemplo).

 

Insuficiência Renal

Pelo estado crítico e pela necessidade frequente de múltiplos medicamentos potencialmente tóxicos para os rins, o paciente crítico possui risco aumentado para insuficiência renal. Na maioria das vezes, o tratamento clínico é o suficiente para tratar esta complicação. Contudo, em casos mais severos, pode ser necessário a utilização de alguma terapia de substituição renal (hemodiálise, por exemplo).

 

Insuficiência circulatória

A complicação cardiovascular mais comum no doente crítico é a insuficiência circulatória, também chamada de choque. O choque é um estado no qual o sistema cardiovascular não consegue manter a adequada perfusão dos órgãos e tecidos. O tratamento para o choque envolve múltiplas terapias que incluem soroterapia, administração de medicamentos para controlar a pressão arterial, medicamentos para controle da frequência cardíaca, medicamentos para melhorar a performance do coração e, eventualmente, medidas de suporte circulatório mecânico (balão intra-aórtico e circulação extracorpórea, por exemplo).